terça-feira, 1 de agosto de 2017

Câmera lenta [2017]


Câmera lenta
[São Paulo: Companhia das letras, 2017]
Leia o poema-abertura, "Hola, spleen", na revista Piauí de agosto


* resenha do livro, por Juliana Bratfisch, na Folha de S. Paulo


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Texto de orelha do livro, por Ítalo Moriconi


Neste livro, Marília Garcia avança em sua pesquisa poética, uma das mais consistentes no cenário atual da literatura brasileira. Poesia que permanece em aberto. Poesia do processo, mais que da obra acabada. Sempre em movimento, em viagem, entrelaçando motivos em múltiplas espirais de linguagem, fragmentos de narrativas. Se o livro como um todo retoma fios que percorrem o conjunto da obra da poeta, leitor e leitora verão que a última parte deste Câmera lenta, intitulada “epílogo”, opera como uma conclusão, brincando com a vontade de decifração. Vale a pena percorrer toda a sequência de poemas até chegar lá.
Não tenhamos dúvida: na escrita de Marília Garcia, o poema é campo de experimentações. A própria leitura deve ser exercício de exploração. A repetição diferida encena o ir e vir de memórias presentificadas. O texto aqui é tecido propositalmente descosturado, desalinhando e realinhando ecos e impressões sonoras, visuais, afetivas. A recostura é operada pela autorreflexão -- reflexão sobre o ato de escrever no momento em que ele se dá.
            Na poesia atual, todo poema mantém relação constitutiva, de espelhamento, com sua sonorização, seja ela mental ou concretizada na oralização. A voz da autora singulariza-se por dialogar com os meios de sonorização eletrônica. Não apenas para usá-los em performances, ou falar deles, mas para buscar, por analogia com seu modo de produção, modelos formais para o poema. 
O mesmo se aplica à relação da poesia de Marília com objetos do mundo técnico, como os resistores, em livro anterior. Neste agora, as hélices. Estas aparecem como motivo motor do livro, de aspectos de sua enunciação. Porém, o que a poeta retira das hélices é sobretudo a forma helicoidal. O método compositivo aqui é dado pelo loop (tanto o eletroacústico quanto o aéreo), pela estereofonia, pela espiral. Poética desbravadora, sofisticada, antenada.

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leitura do poema "hola, spleen"