domingo, 8 de outubro de 2017

Hokusai -- Anne Carson




A raiva é um cadeado doloroso
mas que pode ser aberto.

Hokusai, 83 anos,
disse,
é hora de fazer meus leões.

Todas as manhãs
até sua morte

219 dias depois
ele desenhou
um leão.

Rajadas de vento sopravam do noroeste.

Leões balançavam
e saltavam
do alto

dos pinheiros
para as ruas

cobertas de
neve ou se
estatelavam

sobre a cabana dele,
as patas brancas

ferindo as estrelas
ao cair.

Eu sigo desenhando
em busca
de um dia calmo,

dizia Hokusai
enquanto os leões tombavam.




**

(do livro "Men in the off hours")

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Câmera lenta [2017]


Câmera lenta
[São Paulo: Companhia das letras, 2017]
Leia o poema-abertura, "Hola, spleen", na revista Piauí de agosto


* resenha do livro, por Juliana Bratfisch, na Folha de S. Paulo


***
leitura do poema "hola, spleen"




sexta-feira, 28 de julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Filosofia – Jaroslav Seifert

Lembre-se dos sábios filósofos
A vira dura só um instante
Mas quando espero minha namorada
É uma eternidade

segunda-feira, 3 de julho de 2017

"O que ela vê quando fecha os olhos?" -- Marília Garcia




trechinho do poema "Pelos grandes bulevares" (do livro novo! em produção)
com algo de gertrude stein, de anohny, de godard e da via dutra...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Por que não sou pintor? – Frank O'Hara





Não sou pintor, e sim poeta.
Por quê? Acho que eu preferia
ser pintor, só que não sou. Bem,

por exemplo, o Mike Goldberg
está começando um quadro. Vou lá.
“Senta e bebe alguma coisa”, ele
diz. Bebo. Bebemos. Eu olho
pro quadro. “Você escreveu SARDINHAS.”
“Tinha que pôr alguma coisa ali.”
“Ah.” Os dias passam e eu
vou lá de novo. O quadro avança,
eu vou embora, e os dias vão
passando. Eu volto. O quadro está
pronto. “Cadê SARDINHAS?” 
Só ficaram umas
letras. “Era demais”, diz Mike.

Mas e eu? Um dia eu penso numa
cor: LARANJA. Escrevo um verso sobre
laranja. E logo é uma página
inteira de palavras, não versos.
Depois outra página. Devia
haver muito mais, não laranja, mas
palavras, sobre o horror do laranja e
da vida. Os dias passam. Está até
em prosa, sou poeta mesmo. Meu poema 
está pronto, e ainda nem falei em
laranja. Doze poemas, e o nome é
LARANJAS. E um dia numa galeria
vejo o quadro do Mike: SARDINHAS.

tradução de Paulo Henriques Britto

do livro Meu coração está no bolso
cuja capinha abre o post
traduzido por Beatriz Bastos e Paulo Henriques Britto